Emprego Recursos Úteis Começo Qual é a pior altura para se despedir? 7 situações a evitar

Qual é a pior altura para se despedir? 7 situações a evitar

Sobre o artigo

A pior altura para se despedir é quando ainda não avaliou as consequências financeiras e profissionais da decisão. Sair no calor do momento, sem outro emprego ou pouco antes de receber um prémio pode transformar uma decisão legítima numa dificuldade desnecessária.

Não existe uma data universalmente certa para dar a carta de demissão. Mas há situações em que esperar alguns dias ou semanas pode fazer uma diferença significativa.

1. Logo depois de uma discussão no trabalho

Teve uma discussão com o chefe e a primeira vontade é apresentar a carta? Espere.

Uma situação desagradável pode ser o culminar de problemas que já duram há meses, mas também pode ser apenas um episódio isolado. Tomar uma decisão importante enquanto está zangado aumenta o risco de se arrepender depois.

Dê algum tempo a si próprio para perceber se quer realmente sair ou se quer apenas que determinada situação mude.

Se decidir despedir-se, poderá fazê-lo de cabeça fria e sair de forma profissional.

2. Quando não tem outro emprego nem uma reserva financeira

Pode despedir-se sem ter outro emprego, mas convém saber quanto tempo consegue viver sem receber salário.

Em Portugal, o subsídio de desemprego destina-se a situações de perda involuntária de emprego. Se for o trabalhador a terminar voluntariamente o contrato, sem justa causa, não terá, em regra, direito a esta prestação. A Segurança Social confirma expressamente que uma cessação por decisão do trabalhador não é considerada desemprego involuntário.

Antes de sair, calcule as suas despesas e avalie durante quantos meses conseguiria suportá-las sem rendimento.

Ter alguma segurança financeira também evita que seja obrigado a aceitar rapidamente um emprego que não lhe interessa.

3. Quando pensa que está prestes a ser despedido

Se suspeita que a empresa pretende terminar o seu contrato, não se antecipe apresentando a demissão apenas para evitar ser despedido.

A forma como a relação laboral termina pode ter consequências importantes, nomeadamente no acesso ao subsídio de desemprego.

Por exemplo, determinadas situações de despedimento por iniciativa do empregador podem ser consideradas desemprego involuntário para efeitos da prestação.

Antes de tomar a iniciativa, perceba exatamente o que está a acontecer e quais poderão ser os seus direitos.

4. Pouco antes de receber um prémio ou comissão

Vai receber um prémio anual, uma comissão importante ou outro benefício daqui a poucas semanas? Consulte primeiro as regras aplicáveis.

Algumas empresas exigem que o trabalhador continue ao serviço numa determinada data para ter direito ao prémio. Sair alguns dias antes pode significar perder um valor significativo.

O mesmo raciocínio não se aplica diretamente ao subsídio de Natal. No ano em que o contrato termina, o trabalhador tem direito ao valor proporcional ao tempo de serviço prestado nesse ano.

Portanto, não precisa necessariamente de esperar por dezembro apenas para “não perder” o subsídio de Natal.

5. Antes de confirmar o aviso prévio

Não prometa à nova empresa que começa na próxima segunda-feira sem verificar primeiro quanto aviso prévio tem de cumprir.

Num contrato sem termo, o trabalhador deve normalmente dar 30 dias de aviso prévio se tiver até dois anos de antiguidade e 60 dias se tiver mais de dois anos. Num contrato a termo, são normalmente 15 ou 30 dias, dependendo da sua duração.

O contrato ou um instrumento de regulamentação coletiva pode ainda prever regras específicas em algumas funções.

Sair sem cumprir o aviso prévio pode obrigá-lo a compensar o empregador pelo período em falta.

6. Quando está a adiar a saída por causa das férias

Também não precisa necessariamente de esperar até gozar todos os dias de férias para sair da empresa.

Na cessação do contrato, o trabalhador tem direito à retribuição correspondente às férias vencidas e não gozadas e ao respetivo subsídio, bem como aos proporcionais referentes ao tempo trabalhado no ano da saída.

Isto não significa que a data seja irrelevante. As contas de férias podem variar conforme o momento da cessação e a duração do contrato.

Mas não parta do princípio de que perde simplesmente as férias por se despedir.

7. Quando está apenas a fugir do emprego atual

“Quero sair daqui” e “sei para onde quero ir” são duas coisas diferentes.

Se está insatisfeito mas ainda não sabe o que pretende fazer a seguir, pode valer a pena aproveitar o emprego atual para preparar a mudança.

Atualize o currículo, pesquise salários, analise ofertas, fale com pessoas da área e identifique as competências que lhe faltam.

Se pretende mudar de profissão, talvez seja necessário fazer formação antes de sair.

Preparar a próxima etapa enquanto ainda recebe um salário pode permitir-lhe escolher melhor, em vez de aceitar a primeira oportunidade disponível.

Então, quando é uma boa altura para se despedir?

Uma boa altura é aquela em que compreende as consequências da decisão e tem um plano para o que acontece a seguir.

Antes de entregar a carta, saiba quanto aviso prévio terá de cumprir, que valores receberá na saída, se poderá perder prémios ou benefícios e como ficará financeiramente caso demore a encontrar outro emprego.

Também não espere indefinidamente por uma situação perfeita. Se já decidiu que quer mudar, o objetivo deve ser preparar a saída e reduzir riscos desnecessários.

E se já entregou a carta e mudou de ideias, poderá ainda existir solução. Em determinadas condições, a legislação portuguesa permite voltar atrás depois de dar a carta de demissão dentro de um prazo específico.

Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui aconselhamento jurídico nem a análise da situação concreta de cada trabalhador.

Representação de novo capitulo profissional

Qual é a pior altura para se despedir? 7 situações a evitar

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