Como fazer um CV depois dos 50 anos? 8 dicas para valorizar a sua experiência
Sobre o artigo
Se procura emprego depois dos 50 anos, o seu CV deve valorizar a experiência sem tentar contar toda a sua carreira profissional. Dê prioridade aos últimos anos, destaque resultados concretos e mostre que as suas competências continuam atualizadas.
Ter muitos anos de experiência pode ser uma grande vantagem. O desafio está em apresentar essa experiência de forma clara, atual e relevante para a vaga.
Em Portugal, um CV tem normalmente uma a duas páginas e é apresentado por ordem cronológica inversa, começando pelas experiências mais recentes.
1. Não coloque toda a carreira no CV
Se trabalha há 25 ou 30 anos, não precisa de descrever detalhadamente todos os empregos que teve. O currículo não é um arquivo completo da sua vida profissional.
Dê mais espaço às funções recentes e relevantes para a vaga. Experiências antigas podem ser resumidas numa pequena secção de “Experiência anterior” ou até retiradas quando não acrescentam valor à candidatura. O importante é que o recrutador perceba rapidamente porque é a melhor opção para a função, e não tudo o que fez desde que começou a trabalhar.
2. Comece pela experiência mais recente
Em Portugal, o formato mais habitual continua a ser o cronológico inverso: emprego atual ou mais recente primeiro, seguido dos anteriores.
Para cada função, indique:
- cargo;
- empresa;
- período;
- principais responsabilidades;
- resultados relevantes.
6Evite dedicar dez linhas a uma função desempenhada há 20 anos e apenas duas ao emprego mais recente. Quanto mais recente e relevante for a experiência, maior deve ser o destaque.
3. Mostre resultados, não apenas anos de experiência
Ter 20 anos de experiência não diz, por si só, o que consegue fazer.
Em vez de escrever:
20 anos de experiência na área comercial.
Mostre o valor dessa experiência:
Gestão de carteira de clientes empresariais, acompanhamento de equipas comerciais e crescimento das vendas na região atribuída.
Sempre que possível, acrescente resultados concretos: aumento de vendas, redução de custos, dimensão das equipas geridas, projetos concluídos ou melhorias que implementou.
Experiência torna-se muito mais valiosa quando é acompanhada de resultados.
4. Mostre que as suas competências estão atualizadas
Uma preocupação que pode surgir relativamente a profissionais mais experientes é saber se acompanham a evolução tecnológica da sua profissão.
Não deixe essa questão sem resposta.
Inclua ferramentas, programas e tecnologias que utiliza atualmente, quando forem relevantes:
- Microsoft 365;
- Excel;
- Teams;
- SAP;
- Salesforce;
- ferramentas de gestão de projetos;
- software específico da sua profissão;
- inteligência artificial e outras ferramentas digitais, quando aplicável.
Retire tecnologias antigas que já não tenham utilidade apenas para mostrar que as conhece.
O objetivo é transmitir que a experiência acumulada acompanha as competências exigidas atualmente.
5. Inclua formação recente
Cursos e certificações recentes ajudam a demonstrar atualização profissional. Se fez formação nos últimos anos, dê-lhe visibilidade, sobretudo quando está relacionada com a vaga. Mas não precisa, de incluir todas as formações realizadas ao longo da carreira.
Um curso curto feito há 20 anos e que já não é relevante provavelmente ocupa espaço que poderia ser utilizado para destacar conhecimentos atuais.
6. Precisa de colocar a idade no CV?
Não precisa de transformar a idade num elemento central do currículo. Nas orientações da EURES para candidaturas em Portugal, os elementos recomendados incluem contactos, experiência profissional, formação, competências e outras qualificações relevantes. A data de nascimento não surge como elemento essencial dessa estrutura.
Além disso, o Código do Trabalho estabelece o direito dos candidatos a igualdade de oportunidades no acesso ao emprego e proíbe a discriminação, nomeadamente em razão da idade. Não deve mentir sobre a sua idade ou experiência. Simplesmente não precisa de destacar informação que não seja relevante para avaliar a sua capacidade profissional.
7. Atualize a apresentação do CV
Um CV criado há dez anos e atualizado apenas com mais uma experiência profissional pode parecer desatualizado. Use um formato simples, limpo e fácil de ler.
Evite excesso de elementos gráficos, várias fontes, tabelas complicadas ou informação desnecessária. Também vale a pena rever o endereço de email utilizado, um endereço simples baseado no seu nome transmite uma imagem mais profissional.
Se tiver LinkedIn, inclua o endereço no CV e confirme que a informação apresentada nas duas plataformas é coerente. A própria EURES recomenda a inclusão do perfil do LinkedIn quando relevante.
8. Adapte o CV a cada oferta de emprego
Este conselho é importante em qualquer idade, mas torna-se ainda mais relevante quando tem uma carreira longa.
Não envie automaticamente o mesmo CV para todas as vagas.
Leia o anúncio e identifique:
- competências procuradas;
- experiência necessária;
- ferramentas utilizadas;
- principais responsabilidades.
Depois destaque no CV as partes da sua experiência que melhor correspondem a esses requisitos. Pode ter feito dezenas de coisas ao longo da carreira. Não precisa de mostrar todas: precisa de mostrar as certas.
A experiência pode ser uma vantagem na procura de emprego?
Sim.
Um profissional experiente pode trazer conhecimentos técnicos, capacidade de resolver problemas, autonomia, conhecimento do setor e experiência na gestão de situações difíceis. O objetivo do CV é fazer com que essas vantagens sejam imediatamente visíveis.
Se está à procura de emprego depois dos 50 anos, não tente fazer o seu percurso parecer mais curto do que realmente é. Torne-o mais relevante. Um CV de uma ou duas páginas, atualizado e adaptado à vaga pode comunicar muito melhor o seu valor do que uma descrição exaustiva de décadas de trabalho.
A sua experiência não precisa de ocupar todo o CV para ser o seu maior argumento.