Emprego Recursos Úteis Curriculum Vitae Como organizar um CV? As secções que deve incluir

Como organizar um CV? As secções que deve incluir

Sobre o artigo

Um bom CV deve apresentar de forma rápida quem é, qual a sua experiência, formação e principais competências. Em Portugal, o mais habitual é utilizar uma estrutura simples, com uma ou duas páginas, colocando primeiro a experiência profissional mais recente.

Não precisa de incluir todas as informações sobre a sua vida profissional. O objetivo é facilitar o trabalho do recrutador e destacar aquilo que é relevante para a vaga a que se candidata.

Mas que secções deve realmente ter um currículo?

1. Nome e contactos

Comece pelo essencial:

  • Nome;
  • Número de telefone;
  • Endereço de email profissional;
  • Localidade onde reside;
  • LinkedIn, se estiver atualizado;
  • Portefólio ou website profissional, quando relevante.

Não é necessário indicar a morada completa. A EURES recomenda que seja suficiente indicar a cidade e o país.

Evite também informações pessoais que não sejam relevantes para a candidatura, sobretudo dados sensíveis. O Europass recomenda explicitamente que esse tipo de informação seja deixado de fora do perfil profissional.

2. Perfil profissional

Logo abaixo dos contactos pode incluir um pequeno perfil profissional, normalmente com duas a quatro linhas.

A ideia é responder rapidamente a três perguntas:

Quem é profissionalmente? Que experiência tem? O que pode oferecer à empresa?

Por exemplo:

Técnico de contabilidade com cinco anos de experiência em PME, especializado em faturação, reconciliações bancárias e apoio ao fecho mensal. Procuro uma função onde possa aprofundar competências na área financeira.

Evite descrições vagas como “sou trabalhador, responsável e gosto de novos desafios”.

Adapte este texto à vaga. O Europass também recomenda atualizar a apresentação do candidato de acordo com o emprego pretendido, em vez de utilizar sempre a mesma descrição.

3. Experiência profissional

Para a maioria dos candidatos, esta será a secção mais importante do CV.

Apresente a experiência por ordem cronológica inversa, começando pelo emprego mais recente. Esta é também a estrutura recomendada pela EURES e pelo Europass.

Em cada experiência indique:

  • Cargo
  • Empresa
  • Período em que trabalhou
  • Principais funções e resultados
  • Em vez de simplesmente escrever:
  • Atendimento ao cliente.

É preferível explicar um pouco melhor:

Atendimento presencial e telefónico a clientes, tratamento de encomendas e resolução de reclamações.

Sempre que possível, destaque resultados concretos e responsabilidades relevantes para a vaga.

4. Formação académica

Inclua os estudos e qualificações mais relevantes, também começando pelos mais recentes.

Pode indicar:

  • Curso;
  • Instituição de ensino;
  • Ano de conclusão;
  • Especialização, quando relevante.

Se já tem vários anos de experiência profissional, normalmente não precisa de ocupar muito espaço com a formação.

No caso de um recém-licenciado ou de alguém à procura do primeiro emprego, esta secção pode ganhar maior destaque e aparecer antes da experiência profissional.

5. Competências profissionais e técnicas

Inclua competências que tenham efetivamente interesse para a função.

Por exemplo:

  • Excel;
  • SAP;
  • WordPress;
  • AutoCAD;
  • Photoshop;
  • programação;
  • contabilidade;
  • gestão de projetos;
  • utilização de máquinas ou equipamentos específicos.

Evite listas enormes de competências apenas para preencher espaço.

O objetivo é permitir ao recrutador perceber rapidamente se possui os conhecimentos procurados no anúncio.

6. Idiomas

Se fala outras línguas, crie uma pequena secção dedicada aos idiomas.

Pode indicar, por exemplo:

  • Português: língua materna
  • Inglês: C1
  • Espanhol: B2

Se não souber exatamente o seu nível, pode utilizar o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas como orientação.

Não exagere o domínio de uma língua. É relativamente fácil para um recrutador confirmar essa informação durante uma entrevista.

7. Cursos e certificações

Nem todos os cursos que fez precisam de aparecer no CV.

Inclua sobretudo aqueles que:

  • são relevantes para a profissão;
  • demonstram uma especialização;
  • são pedidos no anúncio;
  • acrescentam valor à candidatura.

Por exemplo, uma certificação técnica recente poderá merecer destaque, enquanto uma formação curta feita há 15 anos e sem relação com a função provavelmente poderá ser retirada.

8. Outras secções que podem fazer sentido

Dependendo da profissão e da sua experiência, pode ainda acrescentar:

  • Projetos: especialmente importante em tecnologia, engenharia, design ou investigação.
  • Portefólio: útil para designers, fotógrafos, programadores, arquitetos e outras profissões em que é importante mostrar trabalhos anteriores.
  • Voluntariado: pode ser particularmente relevante para candidatos com pouca experiência profissional.
  • Publicações e investigação: mais indicado para currículos académicos e científicos.
  • Carta de condução: apenas quando seja relevante para a função.

O artigo original da The Balance inclui muitas destas secções porque está particularmente orientado para CV académicos, investigação e ensino. No mercado de trabalho português, um CV normal deve ser bastante mais compacto.

É obrigatório colocar fotografia no CV?

Não.

Em Portugal ainda é relativamente comum incluir fotografia e a EURES refere que esta é frequentemente valorizada, mas não é obrigatória.

Se decidir colocar uma fotografia, utilize uma imagem profissional e atual.

Também é perfeitamente legítimo optar por um CV sem fotografia.

Quantas páginas deve ter um CV?

Na maioria dos casos, uma ou duas páginas são suficientes.

A EURES aponta precisamente para essa dimensão como habitual em Portugal.

Um recém-licenciado poderá conseguir apresentar toda a informação relevante numa página. Um profissional com 15 anos de experiência poderá precisar de duas.

O importante não é preencher espaço, mas facilitar a leitura.

É obrigatório utilizar o Europass?

Não. O Europass é um dos modelos de CV mais conhecidos na Europa e pode ser útil para criar e organizar um currículo, mas não é obrigatório utilizar esse formato numa candidatura.

Pode criar o seu próprio CV desde que seja organizado, profissional e fácil de ler.

Qual é a melhor ordem para um CV?

Para a maioria das candidaturas, uma boa estrutura é:

  • Nome e contactos;
  • Perfil profissional;
  • Experiência profissional;
  • Formação;
  • Competências;
  • Idiomas;
  • Cursos e certificações;
  • Outras informações relevantes.

Não existe, contudo, uma estrutura única para todos. Se está à procura do primeiro emprego, a formação pode aparecer antes da experiência. Se trabalha numa área criativa, o portefólio poderá merecer muito mais destaque.

O mais importante é colocar nas primeiras secções aquilo que melhor demonstra que é um bom candidato para aquela vaga.

Um CV não deve contar toda a sua história profissional. Deve mostrar, de forma rápida e clara, porque vale a pena convidá-lo para uma entrevista.

Exemplo de CV

Como organizar um CV? As secções que deve incluir

Tipo Artigo
Leitura 5 min
Publicado
Atualizado