Candidatura espontânea: como enviar um CV a uma empresa que não tem vagas abertas
Sobre o artigo
A grande maioria das pessoas que está à procura de emprego, fica à espera que apareça um anúncio para depois de candidatar. A candidatura espontânea funciona ao contrário. Contactas uma empresa antes de haver vaga publicada, porque sabes que queres trabalhar lá e tens algo concreto para oferecer.
Se esta abordagem for bem feita, é uma das abordagens mais eficazes no mercado de trabalho português. Feita de forma genérica, é tempo perdido para toda a gente.
O que é uma candidatura espontânea
É o envio do teu curriculum vitae e de uma carta de apresentação a uma empresa que não tem nenhuma oferta de emprego publicada naquele momento. O objetivo é que a empresa te guarde em memória ou, em casos mais favoráveis, que crie uma oportunidade para o teu perfil.
Em Portugal, uma parte significativa das vagas de emprego nunca chega a ser anunciada publicamente. São preenchidas por recomendação, por contacto direto, ou por candidaturas espontâneas que chegaram na altura certa. Ao te candidatares de forma espontânea isso vai destacar-te neste mercado de emprego que a maioria das pessoas ignora.
Quando faz sentido enviar uma candidatura espontânea
Faz sentido quando conheces bem a empresa e tens razões concretas para querer trabalhar nela. Não é o mesmo que estar a enviar o mesmo CV a cem empresas em simultâneo porque não encontras anúncios.
Há momentos em que a candidatura espontânea tem mais probabilidade de te conseguir um emprego. Quando a empresa está em crescimento visível, quando abriu um novo escritório ou área de negócio, quando houve saídas recentes de colaboradores que podes ter identificado no LinkedIn, ou quando a empresa opera numa área onde o teu perfil é escasso.
Uma candidatura espontânea enviada a uma empresa que não tem nenhuma necessidade e à qual não tens nada específico a dizer raramente resulta. O esforço vale mais quando é bem direcionado.
A quem dirigir a candidatura
Este passo faz toda a diferença entre uma candidatura que chega à pessoa certa e uma que vai para um email genérico que ninguém lê com atenção, ou até pode apagar porque não conhece.
O ideal é identificar a pessoa responsável pela área em que queres trabalhar, em vez de enviar um email genérico para os recursos humanos. O LinkedIn é a ferramenta mais útil para isto em Portugal. Procura o responsável da área, o diretor de departamento, ou o próprio dono da empresa em PMEs.
Se não conseguires identificar uma pessoa concreta, dirige a candidatura ao departamento de recursos humanos com o nome da empresa no assunto e a referência à área funcional que te interessa. É menos eficaz mas melhor do que deixar só com assunto “Candidatura Espontânea”.
Como escrever a carta de apresentação
A carta de apresentação de uma candidatura espontânea tem um trabalho diferente da carta para uma vaga publicada. Não estás a responder a um anúncio. Estás a criar o argumento para que deves ser considerado quando não há nenhuma razão óbvia para isso.
Começa por mostrar que conheces a empresa. Uma frase que demonstre que fizeste a pesquisa e a conheces intimamente, sobre o que fazem, para quem, e o que está a mudar no seu negócio, diferencia-te imediatamente de quem enviou a mesma carta genérica para vinte empresas.
Depois faz a ligação entre o que a empresa faz e o que tu podes acrescentar. E não pode ser uma coisa genérica como “Fiz um Mestrado na escola X”, deves dar um exemplo concreto de um trabalho feito e como essa experiência te faz uma boa adição à equipa e uma mais-valia à empresa.
Fecha com uma proposta direta. Não deve ser “aguardo uma resposta favorável”, em vez disso diz algo como “estaria disponível para uma conversa de quinze minutos para perceber se faz sentido explorarmos esta possibilidade”, que é algo mais concreto e mais fácil de responder positivamente.
A carta deve ser curta. Três parágrafos chegam. Quem recruta não tem tempo para cartas longas de candidatos que não foram convidados a candidatar-se.
O que nunca fazer numa candidatura espontânea
- Enviar o mesmo CV e a mesma carta a todas as empresas da tua área – Mesmo que faças pequenas alterações, a falta de personalização nota-se e elimina o efeito que uma candidatura espontânea pode ter.
- Ignorar quem é a empresa antes de te candidatares – Se na carta de apresentação escreveres algo que está errado sobre a empresa, ou que demonstra que não a conheces minimamente, o resultado é o oposto do que pretendes.
- Insistir repetidamente sem resposta, um seguimento educado passadas duas semanas é razoável – Mais do que isso torna-se contraproducente.
O que fazer depois de enviar
Se não receberes resposta em duas semanas, podes enviar um email de seguimento breve. Não para repetir o que disseste antes, mas para reafirmar o interesse e perguntar diretamente se há uma pessoa melhor a quem dirigir o contacto.
Guarda um registo das candidaturas que enviaste, com a data, o contacto e o resultado. Ajuda a não repetir candidaturas e a identificar o que está a resultar melhor.