Porque é que um candidato é escolhido e outro não? 7 fatores que podem decidir uma entrevista
Sobre o artigo
Saíste de uma entrevista convencido de que tinha corrido bem, preenchias os requisitos da oferta e, ainda assim, a empresa escolheu outra pessoa?
É fácil concluir que o outro candidato tinha mais experiência ou melhores qualificações. Mas nem sempre é essa a explicação.
Quando vários candidatos têm experiência e competências semelhantes, pequenos detalhes na entrevista podem acabar por fazer a diferença. A forma como comunicas, explicas decisões, reages a dificuldades ou demonstras interesse pela função também ajuda o recrutador a imaginar como seria trabalhar contigo.
Perceber estes fatores pode ajudar-te a preparar melhor a próxima entrevista.
Indicie
- Ter o melhor CV nem sempre chega
- 7 fatores que podem fazer a diferença
- Uma entrevista não precisa de parecer um interrogatório
- O erro de tentar parecer o candidato perfeito
- O que podes fazer na próxima entrevista
- Nem sempre a rejeição significa que fizeste algo errado
Ter o melhor CV nem sempre chega
O CV ajuda-te a chegar à entrevista. A partir daí, o empregador já sabe que, pelo menos em teoria, tens características que podem encaixar na função.
Quando restam dois ou três candidatos com perfis semelhantes, a decisão pode passar por outra pergunta:
- Em qual destas pessoas confiamos mais para desempenhar bem esta função?
- É aqui que entram fatores que dificilmente cabem numa lista de qualificações.
7 fatores que podem fazer a diferença
1. A forma como explicas a tua experiência
Não basta dizer que tens determinada competência. Sempre que possível, mostra-a através de uma situação real: qual era o problema, o que fizeste e qual foi o resultado.
Um exemplo concreto ajuda o entrevistador a perceber melhor aquilo que realmente sabes fazer.
2. Como pensas perante um problema
Algumas perguntas de entrevista não procuram apenas a resposta certa. Servem para perceber como chegaste à solução.
Se te perguntarem como lidaste com um cliente difícil, por exemplo, não fiques apenas pelo resultado.
Explica o que aconteceu, como analisaste a situação, que alternativas consideraste e porque escolheste determinada solução.
3. A capacidade de admitir que não sabes tudo
Tentar apresentar-te como alguém que nunca falha pode produzir o efeito contrário.
Se nunca utilizaste uma determinada ferramenta, é preferível reconhecê-lo e explicar como aprendeste sistemas semelhantes no passado.
Demonstrar capacidade para aprender pode ser mais convincente do que tentar esconder uma lacuna.
4. A forma como falas de experiências menos positivas
Uma entrevista pode incluir perguntas sobre erros, conflitos ou empregos anteriores.
Evita transformar a resposta numa crítica à antiga empresa, chefia ou colegas.
Assumir aquilo que poderias ter feito de forma diferente e explicar o que aprendeste mostra maturidade profissional.
5. O interesse que demonstras pela função
O recrutador também percebe se estudaste minimamente a oportunidade ou se aquela é apenas mais uma candidatura entre dezenas.
Conhecer a empresa, perceber as principais responsabilidades e fazer perguntas relevantes demonstra interesse.
Não precisas de decorar o site da organização. Precisas de mostrar que sabes a que emprego te estás a candidatar.
6. A forma como comunicas
Ouvir antes de responder, não interromper, explicar uma ideia com clareza e conseguir manter uma conversa natural são pequenos sinais que contam.
Isto não significa que tens de ser extrovertido.
Uma pessoa mais reservada pode transmitir tanta confiança como alguém muito comunicativo. O objetivo é conseguir comunicar de forma clara e profissional.
7. Se o empregador consegue imaginar-te na equipa
Na fase final, uma empresa não está apenas a contratar experiência. Está a escolher alguém com quem outras pessoas terão de trabalhar diariamente.
A forma como recebes feedback, colaboras, te adaptas e lidas com dificuldades pode pesar tanto como uma competência técnica quando os candidatos estão muito próximos.
Uma entrevista não precisa de parecer um interrogatório
As melhores entrevistas tendem a transformar-se numa conversa profissional.
Responde às perguntas, mas aproveita também para conhecer melhor a função. Se o entrevistador mencionar um desafio da equipa, podes fazer uma pergunta relacionada ou ligar esse tema a uma experiência tua.
Isso torna a conversa mais natural e ajuda ambas as partes a perceber se existe um bom encaixe.
O erro de tentar parecer o candidato perfeito
Preparar uma entrevista é importante. Decorar respostas para todas as perguntas possíveis pode não ser.
Respostas demasiado ensaiadas podem soar pouco naturais e dificultar a reação a perguntas inesperadas.
Em vez de preparar discursos, prepara situações reais da tua experiência: um problema que resolveste, um erro do qual aprendeste, um objetivo que alcançaste ou um momento em que tiveste de aprender rapidamente.
Depois adapta esses exemplos às perguntas que surgirem.
O que podes fazer na próxima entrevista
Antes da entrevista, escolhe três ou quatro situações profissionais que mostrem diferentes capacidades.
Pesquisa a empresa e volta a ler a oferta de emprego. Pensa também em duas ou três perguntas que gostarias genuinamente de fazer.
Por exemplo:
- O que distingue alguém que tem sucesso nesta função?
- Qual é o principal desafio da pessoa que entrar para esta posição?
- Como será o trabalho nos primeiros meses?
Uma boa entrevista não serve apenas para convencer a empresa. Também serve para perceber se aquele emprego é adequado para ti.
Nem sempre a rejeição significa que fizeste algo errado
Podes cumprir os requisitos, ter uma boa entrevista e mesmo assim não ser escolhido.
Por vezes, outro candidato tinha uma experiência mais próxima daquela necessidade específica. Noutras situações, a diferença pode ter sido pequena.
Por isso, não interpretes automaticamente uma rejeição como prova de que não és suficientemente qualificado.
Se chegaste à entrevista, já existia interesse no teu perfil. Usa cada processo para perceber o que podes melhorar e chega à próxima oportunidade mais preparado.
O objetivo não é parecer perfeito. É ajudar o empregador a perceber como trabalhas, como pensas e aquilo que podes acrescentar à equipa.